sexta-feira, 21 de março de 2008

MEU COLEGA SUZUKI

- MINHA PRIMEIRA EXPERIÊNCIA COM O PRECONCEITO RACIAL

Não há como negar.
O homem é um ser preconceituoso por excelência.
Para descarregar seu instinto rancoroso, ele somente necessita de alguém ou algo, para direcional seu instinto.
Motivo para demonstrar seu rancor interior não é necessário. Ele cria.
Dessa maneira, o ato de sofrer atitudes de preconceito não é privilégio de ninguém.
Raça, cor, nacionalidade, iniciativa, nada escapa, daqueles que geralmente se dizem civilizados.
Basca acompanhar o que esta correndo pelo mundo afora.
Talvez essa atitude humana, seja proveniente, de cinzas de informações contidas no DNA de seus primitivos ancestrais, da época em que a luta pela sobrevivência era primordial.
Dessa forma, cria em sua mente um estado rancoroso, contra algo ou alguém que venha a se interpor aos seus parâmetros de conhecimento.
Entretanto, tomado de um ímpeto irracional, passa atirar indiscriminadamente, criando situações insustentáveis.

MEU COLEGA SUZUKI


Durante a Segunda Guerra Mundial, tinha eu, entre 12 e 13 anos de idade.

Freqüentava na época o curso de Auxiliar de Escritório, na Escola Técnica de Comércio 30 de Outubro, situada na Rua Oiapoque, no Brás, defronte ao antigo Cine Piratininga.

Estávamos no início do ano letivo.

Como morava, e ainda moro no bairro de Vila Esperança, minha condução para ida, era o Especial das 7, da então linha suburbana da Estrada de Ferro Central do Brasil, que ligava o Brás à Mogi das Cruzes.

Recebia esse nome porque era programada sua saída da Estação Vila Matilde, tendo a Estação Roosevelt (Brás) com destino, isso, devido ao grande número de passageiros residentes no bairro, que utilizavam os serviços ferroviários da época.

Na classe que passei a freqüentar, tinha um garoto mais ou menos da minha idade, que se sentava na primeira fila, ao lado esquerdo da sala, sempre calado.

Por mais cedo que os alunos chegassem à escola, lá estava ele presente, com seus livros, cadernos e traias.

Ao final das aulas, tinha o habito de esperar a saída de todos os seus colegas, para então sair.

Como me sentava quase ao seu lado, o fato me intrigava, pois nosso relacionamento limitava-se, a saber, seu nome e aos cumprimentos de bom dia e até amanhã.

Quanto a mim, retornava para casa utilizando uma composição que saia da Estação do Brás ao meio-dia, com destino à Mogi.

Como de costume, passava todos os dias na lanchonete instalada no saguão da estação, para compra de guloseimas, e deixar correr a hora, para então dirigir-me a plataforma de embarque.

Em certo dia, em que estava efetuando a operação de compra, ao olhar em direção as catracas (bloqueios) de entrada, observei meu colega, passando pelas mesmas.

Curioso, após ser atendido dirigi-me a composição estacionada, entrando no último vagão, e percorri toda a composição com objetivo de encontrá-lo.

Por mais que procurasse não achei nem sinal dele.

Como não poderia deixar de ser, isso despertou ainda mais minha curiosidade.

Não tive dúvidas, no dia seguinte, a primeira coisa que fiz, foi dirigir-me a ele, e perguntar se o mesmo morava pelos lados da Central do Brasil.

Ele me respondeu que sim, morava em Itaquera, e seu pai era agricultor, e tinha um sítio da Colônia, de onde vinha a pé até a estação, onde tomava o trem até o Bras.

Disse ainda, que na vinha à escola em companhia do pai no vagão de carga, que fazia portar com ele toda produção de verduras do dia anterior, para ser vendida no Mercado Municipal.

Contei a ele, que o tinha visto no dia anterior, passando pelo bloqueio, e tinha rodado toda a composição a sua procura e não o tinha encontrado.

Foi ai que me tornei seu colega de fato durante todo o ano letivo.

Ele me afirmou que viajava também na volta no vagão de carga, que existia na ponta das composições que circulavam, em determinados horários.

Sem entender perguntei: - Ué, por quê?

Ele então me respondeu que era recomendação de seu pai que era japonês, e, portanto classificado como “quinta-coluna”, e dessa forma evitar ser hostilizado por eventuais passageiros.

-Dá para entender?...Imaginei na minha capacidade de raciocínio ainda em formação.

Assim, minha nova aventura foi a de viajar na volta da escola, nos vagões de carga dos trens suburbanos da Estrada de Ferro Central do Brasil.

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sábado, 1 de março de 2008

SIR ROWLAND HILL

O CRIADOR DO SELO POSTAL



Sir Rowland Hill inventor e educador britânico nasceu em Kidderminster em 03/ 12/ 1795 e faleceu em 27/ 08 / 1879, pouco antes de completar 84 anos de idade, em Hampstead (Londres).

Seus restos mortais jazem na Abadia de Westminster.

Filho de Thomas Wright Hill (1763/1851), diretor de uma conceituada, Instituição de Birmingham entre a Inglaterra e Pais de Gales, desde pequeno manifestou seu interesse pela mecânica.

Aos 17 anos de idade ele construiu sozinho um imóvel, para servir de escola e elaborou um curioso sistema educacional, onde os alunos governavam a si mesmo.

Constituía o projeto, em substituir os castigos a que eram submetidos os alunos pelas faltas cometidas, nos estabelecimentos de ensino, por um julgamento feito pelos próprios alunos, cujas punições teriam que ser cumprida pelos faltosos, com a prática de exercícios úteis, durante as horas de recreio.

Os julgamentos eram feitos por uma corte de Justiça, onde o Juiz, jurados e advogados, eram escolhidos pelos próprios alunos, dentre eles.

A escola de Hazelwood passou a funcionar admiravelmente bem, e quando Matthew Davenport Hill divulgou o sistema adotado em seu livro Educação, ela ficou famosa em toda Europa.

Foi transferida em 1827 para Bruce Castle, e Arthur Hill assumiu a direção assistido por seus dois irmãos Eduardo e Frederico.

Quanto à Rowland, daí para diante dedicou-se a criação de Falanstérios, uma espécie de fundações comunitárias, ou repúblicas comunitárias, e com a colaboração de John Shaw Lefrève e Wheatone, uma sociedade tendo por objetivo apoiar novos inventos.

Escreveu um livro em 1832, onde constava um projeto com objetivos de extinguir a pobreza e redução da criminalidade.

Em 1833, passou a fazer parte da Associação para colonização do Sul da Austrália.

Enviou no ano de 1834, uma carta ao Lord Bougham, onde demonstrava a situação paupérrima da educação.

Rowland Hill, durante todo esse tempo, inventou diversos equipamentos e máquinas industriais, patenteando em 1835 uma impressora rotativa, (Rotary Press) que imprimia em forma de listagem.

Pouco tempo depois desta invenção, é que lhe correu a idéia da introdução de uma estampilha, para o pagamento das cartas enviadas por intermédio dos correios.

Esta foi a sua principal invenção e que o imortalizou: "o SELO POSTAL".

Passou por outro lado, à estudar os serviços postais britânicos e as falhas que o sistema apresentava.

Como todo assunto relevante, a reforma efetuada nos correios da Coroa Britânica tem várias interpretações, devido as mudanças propostas por Hill.

Entretanto, pode-se observar que os serviços eram pagos após serem efetuados, e por valores expressivos, calculados por volume e distancia percorrida, como são feitas atualmente as encomendas de mercadorias por transporte rodoviário, marítimo ou aéreo.

Não se poderia imaginar a hipótese de pagamento de um serviço ainda não prestado e por valor irrisório.

Não se dava conta na época , que o volume de correspondência poderia cobrir os gastos administrativos de todo o sistema , ampliando de forma substancial os usuários, ávidos de um serviço postal confiável e acessível à maioria da população.

Em 1837, enviou ao gabinete de Melbourne, uma apostila, intitulada "A Reforma dos Correios (Poste Office Reform), onde expunha seus objetivos e resultados práticos, com introdução do selo postal, com uma tarifa única bastante reduzida.

Entretanto não foi levado a sério.

Após ter mandado imprimir um lote de selo foi chamado a participar de uma pesquisa, já em andamento, sobre os correios.

Diante da comissão, descreveu sua idéia como: "um pequeno pedaço de papel que permitisse a colocação de um carimbo, com goma em seu verso, bastaria para pagar o preço justo da remessa de uma carta".

Sua idéia ecoou como uma coisa ridícula, sofrendo forte oposição.

Acontece que Brougham, Grote, Hume, O'Connell, Cobdeau, Warburton, exercendo forte pressão fizeram que uma comissão parlamentar pedisse a criação de uma tarifa única para o envio de cartas.

Por seu lado, o sistema de cobrança do porte no ato do recebimento, não mais atendia as necessidades dos correios, e os preços praticados geralmente eram recusados pelos destinatários, o que trazia sérios prejuízos aos correios.

Diante do clamor popular em pagar um porte uniforme, em agosto de 1839 a reforma postal foi consolidada aprovando-se o Penny Postage Act., equivalente em nossa moeda (01 centavo).

Em 16 de maio de 1840, entrou em vigor a reforma postal, com o porte único para ser adotado em todo o Reino Unido, o 1º selo postal do mundo.

Popularmente chamado de Penny Black, por se 1 Penny e de cor preta, inicio sua circulação, não sendo considerada mais à distância percorrida, com porte pago pelo missivista e não mais pelo destinatário.

Este selo não trazia o nome do pais de origem, trazia apenas a imagem da Rainha Victória, o valor e a palavra “postage”
Essa medida combatida no seu princípio possibilitou a popularização dos serviços postais no Reino Unido, sendo logo adotada pelos demais países.

A administração dos correios entretanto, mostrou-se hostil para com Rowland Hill , que fora admitido para dirigir a sua aplicação, sendo durante mais de dois anos ironizado e alvo de chacotas.

Em 1842 , quando acabara de fechar acordo para a fabricação de selos ,"Peel, Roberto" Ministro do Partido Conservador, afastou-o do cargo provisório que exercia sem qualquer reconhecimento, criando um clima de indignação pública.

Hill em 1843 tornou-se diretor da Estrada de Ferro de Brighton, recebendo em 1846, 13.000 Libras Esterlinas, angariadas em uma subscrição popular.

Em novembro desse mesmo ano foi nomeado por John Russer, Chefe Geral dos Correios e seu irmão Fréderic Hill nomeado adjunto em 1851.
Recebeu o título de bacharel (cavalheiro) em 1860.

Cansado, afasto-se dos correios em 1864, recebendo uma recompensa de 20 mil Libras Esterlinas, oferecida pelo parlamento pelos serviços prestados, além de sua pensão vitalícia..

Ele havia transformado radicalmente em menos de duas décadas, todo o sistema postal britânico e mundial.

Em 1865 passou a fazer parte da comissão das Estradas de Ferro.

Com a ajuda de seu irmão Arthur, escreveu a História do Penny-Postage, que foi publicada pelo seu sobrinho G. Birkbeck Hill, juntamente com sua biografia.

Em sua homenagem foram erguidas uma estátua em Birminghan, e outra no Royal Exchange de Londres.

Após a popularização dos correios, com grande número de cartas em circulação, os primeiros que passaram a colecionar os selos foram os jovens alunos das escolas, e no The Times em 1841, se fez publicar o primeiro anúncio de troca filatélica.

O Brasil em 22/10/1938, ao lançar seu primeiro Bloco Comemorativo "BRAPEX I" (B-1 RHM) (selo Rhm 132), prestou-lhe justa homenagem.

Augusto Dias Gallera.
Vilaesperancapenha.blogspot.com
gallera@web2go.com.br
augusto.gallera@gmail.com.br.


Bibliografia:
Grande Encyclopédie Larousse.
Encyclopédia Vniversal Ilvstrada Evropa Americana.
Enciclopédia Italiana - Fondata da Giovanni Treccani.
Manual do Filatelista - selos de todo o mundo - Nova Cultura.
Filatelia - de Ana Lúcia Lourenço Sampaio.
Casa da Cultura Francesa.
Catálogo de Ofertas RHM – P.Meyer.
Revisão – Celso Figueiredo de Almeida Filho